Nosso Blog

Como aumentar a lucratividade de uma pequena indústria com Lean System

Foto de Claudio Santos

Claudio Santos

Especialista em Gestão Organizacional e Lean System e Autor de Livros sobre Gestão Organizacional

Como Aumentar Lucro de Pequena Indústria com Lean System


  Se você é dono ou trabalha em uma pequena indústria de alimentos, provavelmente já sentiu isso na prática: você produz, vende, trabalha duro… e mesmo assim a margem de lucro parece apertada. E muitas vezes o problema não está em “vender mais”, e sim em perder menos.

No dia a dia, o lucro escapa em detalhes que vão se somando: paradas de máquina, retrabalho, refugo, setup demorado, produto fora do padrão, desperdício de matéria-prima, vencimento por excesso de estoque e consumo alto de água e energia.

É exatamente aí que o Lean Manufacturing na indústria de alimentos entra. Ele não é moda nem teoria: é um jeito simples e organizado de enxergar perdas, medir, priorizar e melhorar.

A boa notícia? Em alimentos, pequenas melhorias repetidas todos os dias viram resultado financeiro de verdade.

             

Por que a lucratividade na indústria de alimentos costuma ser baixa?

Porque o setor lida com:

  • margens naturalmente apertadas
  • variabilidade de matéria-prima
  • exigência de padrão (qualidade e segurança do alimento)
  • alta dependência de rotina operacional
  • risco de vencimento e devoluções.

Quando o processo tem perdas recorrentes, o custo sobe “silenciosamente” e a lucratividade some sem você perceber.

O que o Lean Manufacturing faz na prática: transformar perdas em números

Lean começa com uma pergunta simples:

“Onde estamos perdendo dinheiro hoje?”

E responde com dados objetivos, por exemplo:

  • quanto tempo a linha ficou parada
  • quanto foi jogado fora (refugo)
  • quanto virou retrabalho
  • quanto foi perdido em rendimento (yield)
  • quanto ficou parado em estoque até vencer.

Quando essas perdas viram indicadores, a gestão fica mais fácil: você decide melhor e age mais rápido.

Principais perdas em uma pequena indústria de alimentos (e como identificar)

Abaixo estão as perdas mais comuns que derrubam a margem — e que o Lean ajuda a reduzir:

1) Paradas e esperas

Exemplos: limpeza, falta de material, manutenção corretiva, liberação de qualidade.

2) Setups longos (troca de produto/embalagem)

Exemplos: troca de formato, filme, parâmetros, ajustes e testes.

3) Microparadas

Exemplos: travamentos, sensores, pequenos ajustes e instabilidades na alimentação.

4) Refugo e retrabalho

Exemplos: selagem, peso fora, etiqueta/validade/lote, vazamento, padrão de produto.

5) Yield baixo (baixo rendimento do lote)

Exemplos: derramamento, sobra em tubulação, quebra, aparas.

6) Vencimento e devoluções

Exemplos: estoque alto, previsão ruim, falhas de qualidade e padronização.

O Lean organiza isso em rotina: registrar, analisar, atacar causa raiz e sustentar padrão.

Indicadores Lean essenciais para aumentar o lucro na indústria de alimentos

Você não precisa de sistema caro para começar. Com um quadro, uma planilha e disciplina, dá para medir o essencial.

Indicador 1: Custo da hora parada (R$/h)

Esse é o indicador que mais “acorda” o empreendedor.

Como calcular (simples):
(mão de obra do turno + energia média + custos indiretos estimados) ÷ horas do turno

Exemplo:

  • custo da linha: R$ 450/h
  • parada diária: 20 minutos
  • 20 min = 0,33 h/dia
  • 0,33 × 22 dias = 7,26 h/mês
  • 7,26 × 450 = R$ 3.267/mês perdidos

Ou seja: “pequenas paradas” podem virar um prejuízo fixo mensal.

Indicador 2: OEE (Eficiência Global do Equipamento)

Muito útil para linhas de produção, envase e embalagem. O OEE mostra se você está perdendo em tempo, velocidade ou qualidade.

  • Disponibilidade: quanto tempo a linha realmente rodou
  • Performance: se rodou na velocidade esperada
  • Qualidade: quanto saiu bom de primeira

Exemplo prático:
Se o OEE está em 55%, existe uma oportunidade grande. Em empresas pequenas, é comum subir para 65–75% com rotinas Lean básicas, atacando as principais causas.

Indicador 3: Refugo (% e R$)

É onde a margem “some sem fazer barulho”.

Exemplo:

  • produção: 8.000 unidades/mês
  • refugo: 2% por falha de selagem
  • 2% = 160 unidades
  • custo por unidade: R$ 2,80
  • 160 × 2,80 = R$ 448/mês

Agora imagine somando isso com peso fora, rótulo, vazamento e retrabalho.

Indicador 4: Yield (rendimento do lote)

Yield é o “dinheiro escondido” na matéria-prima.

Exemplo:

  • processamento: 1.200 kg/mês
  • yield esperado: 90%
  • yield real: 88% (diferença de 2 pontos)
  • 2% de 1.200 = 24 kg/mês
  • margem líquida por kg: R$ 7,00
  • 24 × 7 = R$ 168/mês de lucro perdido

Esse tipo de perda quase ninguém percebe sem medir.

Indicador 5: FPY (First Pass Yield)

Pergunta simples: “Sai certo de primeira?”

Exemplo:
Se 10% do lote precisa de retrabalho, você paga duas vezes:

  • mais tempo,
  • mais consumo,
  • mais risco de erro e contaminação.

Método Lean para reduzir perdas e aumentar lucratividade (sem complicar)

A lógica é direta e funciona muito bem em alimentos:

1) Tornar as perdas visíveis

  • Quadro de perdas por turno: “O que parou? Quanto tempo? Qual motivo?”
  • Check de refugo: “Qual defeito? Quantidade?”

2) Priorizar com Pareto

Em vez de tentar resolver tudo, foque no que mais dói:

  • Top 3 paradas (tempo)
  • Top 3 refugos (quantidade e R$)
  • Top 3 perdas de yield (kg e R$)

3) Ir na causa raiz (Gemba + 5 Porquês)

Você sai da suposição e resolve a raiz.

Exemplo: falha de selagem

  • Por quê? Temperatura oscilando
  • Por quê? Sensor sujo / resistência desgastada
  • Por quê? Não tem rotina de inspeção
    Ação: checklist simples + troca preventiva (TPM básico)

4) Padronizar para o ganho não sumir

  • padrão de operação,
  • padrão de limpeza,
  • padrão de setup,
  • padrão de inspeção.

Sem padrão, a perda volta.

Ferramentas Lean que mais dão resultado em pequenas indústrias de alimentos

Você não precisa aplicar tudo. Comece pelo que dá retorno rápido:

  • 5S + gestão visual: reduz erro, tempo perdido e melhora higiene
  • Trabalho padronizado: reduz variação e retrabalho
  • SMED (setup rápido): reduz tempo de troca de produto/embalagem
  • TPM básico: diminui microparadas e quebras
  • Poka-yoke: evita erros graves (rótulo, validade, lote, alergênicos)

O Lean bem aplicado deixa o processo mais leve: menos improviso e mais previsibilidade.

Conclusão: mais lucro com menos desperdício

Aumentar lucratividade não precisa começar com investimento grande, máquina nova ou expansão. Na maioria das pequenas indústrias de alimentos, o caminho mais rápido é reduzir perdas que já existem.

O Lean Manufacturing traz clareza: mostra onde o dinheiro está escapando, prioriza o que dá retorno e cria padrão para manter o ganho.

https://amzn.to/3MUvvMV

Está gostando do conteúdo? Compartilhe!

Sobre o Impacto Empreendedor

O Impacto Empreendedor é um espaço criado para informar, inspirar e transformar a mentalidade de quem quer empreender com propósito.

Aqui, reunimos insights, estratégias e recursos práticos sobre mentalidade, liderança, gestão, marketing, inovação e muito mais. Nosso objetivo é apoiar você em cada fase do negócio, ajudando a superar desafios, tomar decisões assertivas e construir um legado de sucesso.

Seja bem-vindo ao blog que impulsiona ideias e transforma empreendedores em agentes de impacto.

Rolar para cima